Coluna do Frank | Brasilia em Chamas

O Festival de Brasília histórico, comemorando os 50 anos de competição, terminou domingo e podemos dizer que toda forma de política foi feita.

, por Francisco Carbone

Coluna do Frank | Brasilia em Chamas

O Festival de Brasília histórico, comemorando os 50 anos de competição, terminou domingo e podemos dizer que toda forma de política foi feita.

, por Francisco Carbone

Olá pessoal!

Não, não teremos uma coluna sobre política essa semana, mas… quem disse que fazer cinema não é um ato político, não é mesmo? O Festival de Brasília histórico, comemorando os 50 anos de competição, terminou domingo e podemos dizer que toda forma de política foi feita e comentada, através de uma seleção literalmente inflamável.

A temática racial deu a tônica do evento do primeiro ao último dia, indo da exibição do drama histórico ‘Vazante‘ de Daniella Thomas, acusado de calar a voz de seus personagens negros numa trama que se passa justamente no período escravagista, até o último concorrente, o drama bem atual ‘Arábia‘, sobre um operário metalúrgico e seus problemas diários muito mundanos mas não menos importantes.

Pois foi exatamente esse último dirigido por Affonso Uchoa e João Dumans o grande vencedor, e também a unanimidade crítica do ano: melhor filme (júri e crítica), ator, montagem e trilha fizeram da história do operário Cristiano a maior vitoriosa do ano. O prestigiado Adirley Queirós não poderia sair de lá de mãos abanando e além do prêmio de direção, abocanhou tb fotografia (a primeira mulher vencedora da categoria na história, Joana Pimenta) e som. O querido para o público foi ‘Café com Canela‘, que levou o prêmio de filme do júri popular, além de atriz e roteiro, um raro filme vindo do reconcavo baiano a ganhar o mundo. Os coadjuvantes masculino e feminino foram respectivamente para ‘Nô do Diabo’ e ‘Vazante‘ – e vejam só, o filme polêmico acabou com prêmio também, e ainda abocanhou o de direção de arte. Em comum, os 5 filmes premiados refletiram a situação racial que explode no Brasil, ontem e hoje. Um festival que foi marcante pela sua data mas também pelo alto nível dos debates que a curadoria de Eduardo Valente proporcionou.

Uns acabam, outros começam… e a partir da próxima quinta o festival do Rio está chegando a cidade maravilhosa com a mais gorda seleção da Premiere Brasil já vista: são 75 filmes brasileiros espalhados em todas as seções do festival, trazendo um painel completo e complexo da filmografia nacional hoje. Na busca pelos Redentores de filmes de ficção e documentário desse ano temos 15 títulos de diferentes regiões e repletos de predicados para seus realizadores, e ao menos um dado impressionante: dos 9 filmes da categoria ficção, 7 são dirigidos por mulheres. São eles:

Competição Ficção

  • Açúcar (Açúcar), de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira
  • Alguma Coisa Assim (Something Like That), de Esmir Filho e Mariana Bastos
  • Animal Cordial (Friendly Beast), de Gabriela Amaral Almeida
  • Aos Teus Olhos (Liquid Truth), de Carolina Jabor
  • Boas Maneiras (Good Manners), de Juliana Rojas e Marco Dutra
  • Como é cruel viver assim (Life Is a Bitch), de Júlia Rezende
  • O Nome da Morte (Tarnished Land), de Henrique Goldman
  • Praça Paris (Paris Square), de Lúcia Murat
  • Unicórnio (Unicorn), de Eduardo Nunes

Competição Documentário

  • Cartas para um Ladrão de Livros (Letters to a book thief), de Carlos Juliano
    Barros e Caio Cavechini
  • Dedo na Ferida (A Sore Spot), de Silvio Tendler
  • Em Nome da América (In The Name of America), de Fernando Weller
  • Iran (Iran), de Walter Carvalho
  • Pastor Cláudio (Pastor Cláudio), de Beth Formaggini
  • Piripkura (Piripkura), de Mariana Oliva, Renata Terra, Bruno Jorge
  • SLAM: Voz De Levante (SLAM: Sworded Words), de Tatiana Lohmann e Roberta Estrela D’Alva

 

E as estreias da semana hein? Vamos assistir a Francisco Carbone e Thiago Arzakom falando de cinema no nosso canal no YouTube?

Aperta o play! 🙂

Bom, nenhuma delas é mais esperada que ‘Kingsman 2: O Círculo Dourado‘, continuação do hit britânico de 2014 dirigido por Matthew Vaughn que retorna aqui para as novas aventuras dessa agência de inteligência inglesa que se parece muito com a que abriga um certo senhor Bond… só que mais bem humorada. No filme novo, acompanhamos novas aventuras do jovem agente vivido por Taron Eggerton que se formou no episódio anterior, e aqui reencontra o mentor vivido por Colin Firth. Mas se vocês acham que o longa se contenta com apenas Firth de prévio vencedor do Oscar, estão enganados. A seleção de vencedores de boneco dourado no elenco tem ainda Jeff Bridges, Julianne Moore e Halle Berry, acompanhados ainda de Channing Tatum e até Elton John! O filme já está dando o que falar e fez quase 50 milhões na primeira semana americana, um novo sucesso dessa possível franquia? O tempo dirá…

Mas nós também temos nossos candidatos a hit e essa semana Thalita Carauta começa a atacar em dobro nos cinemas em ‘Duas de Mim‘, estreia da veterana das telinhas Cininha de Paula na direção de cinema. A ultra talentosa Thalita vive aqui uma mulher ultra atarefada e que precisa se desdobrar para dar conta de trabalhar, sonhar e curtir a vida, como tido brasileiro. Só que um dia ela é presenteada com um bolo mágico e num pedido decide que ter outra de si seria uma saída pra correria da vida. Dá certa: um duplo seu aparece e ela tem seus desejos realizados, dando conta de tudo… até o feitiço começar a mostrar seu tanto de contra indicação. No elenco, além dela temos Letícia Lima, Márcio Garcia, Alessandra Maestrini e Latino! Sim, o próprio! Como essa confusão toda se resolve, você precisa conferir nos cinemas.

Na semana que vem, comento um tanto da programação internacional do Festival do Rio e encho vocês de dicas do que ver nos 10 dias de festival.

Até lá!