Coluna do Frank | Chuva de aceitação brasileira

Essa semana temos nada menos que SEIS estreias brasileiras, e esse fenômeno tem nome e sobrenome.

, por Francisco Carbone

Coluna do Frank | Chuva de aceitação brasileira

Essa semana temos nada menos que SEIS estreias brasileiras, e esse fenômeno tem nome e sobrenome.

, por Francisco Carbone

Olá pessoal!

Essa semana temos nada menos que SEIS estreias brasileiras, e esse fenômeno tem nome e sobrenome. Fim de ano chegando e, não sei se os leitores sabem, mas as salas de exibição tem uma cota para cumprir de produtos nacionais exibidos no ano. E como vem sendo observado por vários analistas, esse novembro foi apinhado de produções nossas entrando em cartaz, muito mais do que o comum. O motivo é esse e fez com que muito se concentrasse nesse fim de semana, trazendo filmes de diversos gêneros e tamanhos diferentes, mas todos com uma preocupação: a necessidade da aceitação das diferenças.

O principal destaque entre os filmes é com certeza ‘Lamparina da Aurora‘, um dos mais bem sucedidos e especiais filmes do ano. Dirigido por Frederico Machado, o filme precisa do público para não apenas permanecer em cartaz, como também para encontrar voz e provocar novas narrativas diferenciadas como essa, uma espécie de horror onírico. Antenado com tendências mundiais, Machado mostra uma casa onde duas figuras se esbarram e assombram. Um casal de idosos que um dia recebem a visita de um homem bem mais jovem. Um filho? Um forasteiro? Enviado do bem ou do mal, o terceiro elemento irá desestabilizar as relações e provocar um choque violento, literalmente. O cinema de silêncios e desconhecido de Machado precisa ser visto para que aja novas possibilidades como ele, assim cheio de frescor e aberto ao novo. Um grande filme que merece uma ida ao cinema.

Dois filmes falam sobre questão de gênero. Um é o documentário ‘Meu Corpo é Político‘, dirigido por Alice Riff e premiado no Olhar de Cinema em junho. O filme aborda a vida de 4 ativistas LGBT nas periferias do país e sua luta pelas causas que os envolve, principalmente os direitos dos trans. Linn da Quebrada, Fernando Ribeiro, Giu Nonato e Paula Beatriz mostram seu dia a dia e também o de outros personagens como eles, dispostos a mudar o cenário político e social para a população queer como um todo, num documentário vibrante e cheio de luz, de montagem eletrizante. Uma pedida certeira para um público cada vez maior.

Esse mesmo público também poderá conferir esse fim de semana ‘Antes o Tempo não Acabava‘, primeiro longa de Fábio Baldo e Sérgio Andrade. O filme acompanha a vida de um índio da tribo dos saterê, que teria uma vida típica de um semelhante não tivesse ele um olhar tão diferenciado, que aflora ao ir trabalhar na cidade grande e acabar experimentando o sexo e a sexualidade das formas mais diversas possíveis. O filme nasce da dualidade do personagem, que se divide entre sua criação e o seu desejo de ser mais. De fotografia exuberante, o longa é uma visão completamente nova sobre dois seres tão marginalizados, fundidos em um só e repleto das contradições que os dois grupos vivem diariamente. Um dos longas mais originais da temporada, o filme é diferente de tudo que já vimos.

Também teremos no cinema a saga de ‘Yvone Kane‘. A personagem título é uma guerrilheira na África do Sul assassinada no passado e investigada há tempos por uma equivalente a ela, Sara, vivida por Irene Ravache. Tratada pela sociedade local como uma pária, Sara está cansada de sua vida até receber a visita de sua filha, que atravessa uma tragédia pessoal. Juntas em solo africano, essas duas mulheres terão que enfim encontrar a verdade sobre o que aconteceu com Yvone para ter de volta a paz perdida. Rodado há 4 anos e só lançado agora, o longa de Margarida Cardoso é uma bela co-produção entre Brasil, Portugal e Moçambique, que trata a aceitação em outras terras e outras épocas, além do conceito de deixar o luto pra trás e viver uma vida nova e resiliente.

Outro filme que está pronto há alguns anos e só agora encontra circuito é ‘Cromossomo 21‘, longa sobre um romance entre uma jovem com síndrome de down e um rapaz comum. O filme é uma saga pessoal de Alex Duarte, que produziu, escreveu e dirigiu e tenta há muito tempo colocar seu filme nas telas; chegou a hora. O filme vai mostrar as barreiras que esse casal adolescente vai enfrentar, entre suas famílias, seus amigos e entre suas próprias certezas, que precisam ser reconstituídas para que esse amor venha a tona da forma mais pura. O longa é uma produção pequena, quase artesanal, mas conta com um coração enorme e a capacidade de tocar em belos sentimentos por qualquer espectador que o assistir.

Chegamos ao sexto filme, ufa!, e ele é ‘Os Parças‘, filme novo de Halder Gomes e estrelado por Tom Cavalcante, Whindersson Nunes, Tirullipa e Bruno de Luca, que fala sobre entre outras coisas a imigração nordestina em SP, e amizade que nasce entre esses dois lados do país. Quer saber mais sobre ele e outras três incríveis estreias internacionais?

Assista ao vídeo comigo e Thiago Arzakom falando sobre cada um deles, tá muito divertido.

 

Semana que vem eu volto com um “extraordinário” sucesso de bilheteria. Sabe qual é? Aguarde e até lá.​