Coluna do Frank | Cinema é a maior experimentação

Digam pra mim, vocês curtem experimentar? À palavra é atribuída uma sensação de novidade, e está sendo tentado pela primeira vez. Confira!

, por Francisco Carbone

Coluna do Frank | Cinema é a maior experimentação

Digam pra mim, vocês curtem experimentar? À palavra é atribuída uma sensação de novidade, e está sendo tentado pela primeira vez. Confira!

, por Francisco Carbone

Olá pessoal!

Digam pra mim, vocês curtem experimentar? À palavra é atribuída uma sensação de novidade, algo que não se conhecia ou sentia, e está sendo tentado pela primeira vez, ou seja, uma experimentação. Desde os primórdios do cinema existiram tentativas para fazer de forma diferente algo que todos faziam igual. Cineastas que testam linguagens alternativas, que não seguem regras ou cartilhas, que buscam uma conexão diferenciada e que fogem das linhas narrativas convencionais, sempre existiram na Sétima Arte, mas esse tipo de cinema todos podem imaginar que justamente por fugir do convencional, não é um tipo de cinema que atraia público muito amplo, e hoje em dia praticamente nada do que é produzido na área encontra abrigo no nosso circuito. Acabo de chegar de um festival como o Olhar de Cinema em Curitiba que abraça muito esse tipo de cinema diferenciado, mas que fica a margem dos nossos lançamentos.

A TV americana atualmente vem celebrando um mestre do cinema não-convencional, que vem revolucionando linguagens desde os anos 70, e que há 10 anos não entrega uma produção cinematográfica nova. Estou falando do genial David Lynch, que assume uma terceira temporada de sua cultura série dos anos 90 ‘Twin Peaks’ (retransmitida por aqui todas as segundas no Netflix), trazendo de volta situações e personagens das duas temporadas anteriores que marcaram época, e que atualmente transcende a TV e cria uma forma de vanguarda audiovisual nas telinhas, mais uma vez revolucionando e mostrando porque o autor de ‘Cidade dos Sonhos’ faz tanta falta ao cinema.

Pois apenas uma semana depois de abrigar a chegada do chileno Alejandro Jodorowski as telas depois de tantos anos afastado no Brasil com seu poema autobiográfico ‘Poesia sem Fim’, nossas telas recebem outro representante do cinema de experimentação narrativa, Terrence Malick. Ausente do nosso circuito há 4 anos, Malick entrou num processo de estranheza e repelimento tão grande junto ao público que seu filme anterior mesmo estrelado por Christian Bale, Cate Blanchett e Natalie Portman (o atmosférico ‘Knight of Cups’) foi rejeitado pela distribuidora que o tinha comprado, que abriu mão de lançá-lo nos cinemas. Quando todos achavam que o mesmo aconteceria de novo, eis que ‘De Canção em Canção‘ chega pra nós hoje, mais uma vez com elenco espetacular. Numa espécie de quadrilha amorosa, Michael Fassbender, Ryan Gosling, Rooney Mara e novamente Natalie Portman são dois casais com ligação forte com a música, um empresário musical, uma dupla de compositores e uma garçonete que se envolve com esse empresário. Aos poucos eles ameaçam trocar de parceiros na vida e na arte, e acreditem: nada é fácil assim. O filme é um exemplar típico da fase atual de Malick, repleto de narração em off metalinguística e onírica, com os pedaços de trama sendo lançados na tela e o público tentando conectar os pontos abertos lançados, como se fossem observações existenciais das vidas de pessoas comuns em problemas mundanos que se agigantam com a poesia fotográfica de Emmanuel Lubezski e a forma cada vez mais abstrata de Malick em contar histórias banais.

De um lado mais convencional, chegam duas outras pedidas que parecem comuns perto do banquete de Malick, mas que são dois filmes franceses com surpresas e diferenciações. O primeiro, por ser uma comédia completamente blockbuster estrelada por uma das maiores atrizes do mundo hoje, que raramente faz filmes tão comerciais assim, Juliette Binoche. Estou falando de ‘Tal Mãe, Tal Filha‘, uma comédia hiper despretensiosa mostrando as relações entre uma filha executiva certinha e uma mãe completamente libertária que de repente ficam grávidas juntas. O filme participou do último Festival Varilux e deveria entrar em cartaz exclusivamente em cinemas de shopping e multiplexes, tendo em vista que é um filme nada parecido com a carreira habitual de Binoche e completamente recomendado para jovens e um público que não tenho qualquer pretensão além de rir e se divertir com esse passatempo.

O segundo filme francês do fim de semana é uma produção curiosa no mínimo. Até dois meses atrás eu não sabia absolutamente nada sobre ‘Monsieur & Madame Adelman‘, nem que tal filme existia. E de repente ele não só foi anunciado como estreia como com poucos adiamentos depois ele entra em cartaz, pra mim de maneira rápida até. Dirigido por Nicolas Bedos e roteirizado por Doria Tillier, o filme é protagonizado por ambos e narra o relacionamento do casal do título, desde o primeiro encontro até o último, durante mais de 40 anos de história, que é de fato um romance, mas que passeia pela comédia, pelo drama e até pela tragédia. O que ninguém poderia imaginar era que esse filme desconhecido sem elenco ou produção chamativa, sem passar com destaque por nenhum festival europeu, sem causar alguma comoção relevante em seu país de origem, fosse aportar no Brasil e ser recebido pela crítica como “um dos melhores e mais bonitos filmes do ano“, de maneira quase unânime. Então, se você ainda não ficou curioso, assista o trailer do filme abaixo.

Vou ficando por aqui essa semana, prometendo uma pá de lançamentos pra semana que vem e dois dos filmes mais elogiados de 2017 até agora. Até lá!