Coluna do Frank | Levante feminino

Como desde o ano passado a corrida de ouro da temporada de cinema americano vem repleta de polêmicas, o Globo de Ouro veio corroborar a tendência.

, por Francisco Carbone

Coluna do Frank | Levante feminino

Como desde o ano passado a corrida de ouro da temporada de cinema americano vem repleta de polêmicas, o Globo de Ouro veio corroborar a tendência.

, por Francisco Carbone

Olá pessoal!

Como desde o ano passado a corrida de ouro da temporada de cinema americano vem repleta de polêmicas, o Globo de Ouro veio corroborar a tendência. Houveram ao menos três grandes vencedores na noite do último domingo e Imprensa Estrangeira em Hollywood acabou dando 4 prêmios para ‘Três Anúncios para um Crime‘, 2 prêmios para ‘A Forma da Água‘ e 2 prêmios para ‘Lady Bird‘, sendo que o último filme foi dirigido por Greta Gerwig e ela nem foi indicada em sua categoria específica, o que gerou protesto de Natalie Portman no palco – ainda assim, Greta levou o prêmio de filme de comédia, e Saoirse Ronan o prêmio de atriz da categoria pela personagem título. O filme claramente pode se beneficiar dessa esnobada que vem recebendo na categoria de direção e disparar na disputa nesses 50 dias que faltam para a premiação.

Já ‘A Forma da Água’ confirma o favoritismo de Guillermo Del Toro para levar o careca dourado de diretor ao abraçar o Globo da categoria. O filme é uma fábula de tom delicado mas que mexe em diversas feridas na América de hoje, como racismo, homofobia, machismo e faz um levante de minorias para enfrentar os poderosos. Seu outro prêmio foi a categoria de trilha sonora, que também tem chances de converter em Oscar.

O grande vencedor da noite no entanto foi o filme de Martin McDonagh, que levou o esperado prêmio de roteiro, atriz de drama para Frances McDormand (um dos mais belos e potentes discursos da noite), e também a surpresa de Sam Rockwell em ator coadjuvante, além de filme em drama. Contando a história de uma mãe revoltada com o estupro e assassinato brutal da filha que cobra energia nas providências das autoridades, o filme parece o grito de revolta certo depois do ano repleto de acusações de assédio sexual na direção de todos os setores de Hollywood. Controverso e polarizante, o filme foi abraçado numa noite onde tudo teve a ver com a Mulher: os três grandes vencedores eram protagonizados por mulheres, o vencedor de filme estrangeiro também (o alemão ‘Em Pedaços’), assim como os três principais vencedores de tv, a dramática ‘The Handmaid’s Tale‘, a cômica ‘The Marvelous Mrs. Maisel‘ e a minissérie ‘Big Little Lies‘ (todas já comentadas por Laura Vidaurreta na coluna de segunda, aqui > http://www.naomecritica.com.br/leitores-em-serie-globo-de-ouro-2018/)

Esse levante bem vindo esteve também presente no incrível discurso da homenageada Oprah Winfrey, que conclamou a mudança e saudou os novos tempos que estão chegando. Esse novos tempos devem refletir nas indicações ao Oscar que saem em 10 dias e devem voltar a colocar os três grandes vencedores como os três principais filmes da corrida, com ‘Corra!‘ olhando tudo de fora. Acredito que o filme de Greta Gerwig tem tudo para ser um grande beneficiado do próximo mês e chegar bem forte na cerimônia de 4 de março, provavelmente enfrentando a relevância política e social de ‘Três Anúncios para um Crime‘. Será um belo embate.

Pra não deixar passar, os homens protagonistas vencedores em drama e comédia foram Gary Oldman e James Franco respectivamente, confirmando o favoritismo de ambos e colocando uma super batata quente na mão da indústria, já que ambos no passado estiveram envolvidos em casos de violência doméstica e assédio, e podem pagar o preço de suas atitudes esse ano. Ou será que é tão inevitável assim premiar o Winston Churchill de Oldman? Sempre lembrando da magnífica interpretação de Timothee Chalamet em ‘Me Chame pelo seu Nome‘, que com certeza estará na lista final. É uma maravilhosa opção a um tempo que não tolera mais qualquer tipo de abuso.

Inclusive é exatamente a vitória de Oldman a grande estreia da semana nos cinemas, ‘O Destino de uma Nação‘. O filme mostra um recorte rápido da vida de Winston Churchill, mais precisamente quando ele assumiu a cadeira de primeiro ministro britânico no auge da Segunda Guerra em meio a protestos contra o seu nome. Figura polêmica, escorregadio, Churchill se vê encarregado de negociações que podem decidir se a Inglaterra seria ou não invadida pelas tropas de Hitler a qualquer momento, e acaba traçando um belo paralelo com ‘Dunkirk’. O filme é uma produção que tem um único e principal atrativo maior: Gary Oldman. Justificando todos os inúmeros prêmios que já ganhou esse ano, o ator entrega a interpretação de uma vida e vem com pinta de leão pra cima do Oscar. Terá ele fôlego pra superar as acusações do passado que voltaram a baila?

Outra estreia importante da semana é a nova animação dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha, ‘O Touro Ferdinando‘. Também responsável pelos sucessos ‘A Era do Gelo’ e ‘Rio’, Carlos pode trazer uma primeira indicação ao Oscar por essa aventura infantil animada baseada num antigo curta metragem que também rendeu um livrinho para crianças que muitos tiveram na infância. O filme acompanha o personagem título, um touro espanhol criado para as arenas mas que não tem nenhum talento para as touradas. Ao fazer amizade com uma menininha que adora aventuras, Ferdinando vai perceber que não lhe falta apenas talento, mas também impulsos violentos, e ele terá de lutar para provar sua inocência e fugir de sua natureza. Já indicado a diversos prêmios, o filme infelizmente não foi um grande sucesso nos EUA, o que diminui suas chances de indicação. Mas dotado de graça, beleza e diversão, as chances estão de pé para esse touro simpático.

O terceiro lançamento da semana atende pelo nome de ‘O Estrangeiro‘ e é a volta aos cinemas do astro Jackie Chan depois de muitos anos, nesse drama de ação que vai fazer muita gente ficar na ponta da cadeira e vibrar. Depois de ver sua filha ser assassinada num atentado terrorista, Quan procura por justiça através das autoridades britânicas. Cansado de esperar, esse devastado pai descobre tudo sobre o IRA, responsável pela bomba, e sai em busca de vingança pelas próprias mãos. O que ninguém imaginava era da capacidade letal de Quan, que no passado foi treinado pelas forças especiais americanas e é capaz de se transformar numa máquina de matar se quiser. Também estrelado por Pierce Brosnan como o vice primeiro ministro no caminho do vingador, o filme é uma oportunidade rara de voltar a ver o talento de Chan em ação, e uma excelente pedida para quem procura emoções fortes e suspense.

Na semana que vem temos a estreia dos primeiros filmes nacionais do ano e um dos melhores filmes da temporada. Não percam, e até lá.​