Coluna do Frank | O Brasil no cinema em 2017

Apesar de faltar mais de um mês pro ano terminar, já dá pra olhar pra esse resto de ano e analisar tudo que aconteceu nas nossas bilheterias.

, por Francisco Carbone

Coluna do Frank | O Brasil no cinema em 2017

Apesar de faltar mais de um mês pro ano terminar, já dá pra olhar pra esse resto de ano e analisar tudo que aconteceu nas nossas bilheterias.

, por Francisco Carbone

Olá pessoal!

Apesar de faltar mais de um mês pro ano terminar, já dá pra olhar pra esse resto de ano e analisar tudo que aconteceu nas nossas bilheterias no que diz respeito aos nossos filmes, e na qualidade também. Dá pra dizer que a quantidade de dinheiro feito pelos nossos filmes foi diametralmente oposta a qualidade, já que nossos lançamentos continuam crescendo em quantidade, em importância e em nível, em contrapartida nossas bilheterias esse ano decepcionaram, ainda que o número 1 tenha sido um recordista. Vamos ao top:

1) Minha Mãe é uma Peça 2
2) Polícia Federal
3) Detetives do Prédio Azul
4) Meus 15 Anos
5) Um Tio Quase Perfeito
6) Eu Fico Loko
7) Como se Tornar o Pior Aluno da Escola
8) Os Penetras 2
9) Divórcio
10) Bingo: O Rei das Manhãs

O filme de Paulo Gustavo, apesar de ter estreado dia 22 de dezembro, fez a maior parte dos seus 9 milhões e meio de espectadores esse ano, um número que o colocou diretamente no top 5 de maiores bilheterias de todos os tempos. O segundo lugar ainda não parou de fazer dinheiro, e por enquanto acumula 1,4 milhão de espectadores para a primeira parte da trilogia sobre os escândalos políticos recentes do país sob uma ótica bem duvidosa, enquanto a adaptação da série infantil do Gloob conseguiu fazer 1,2 milhão de espectadores. E o que podemos chamar de sucessos incontestáveis param nesse podium mesmo, já que nenhuma das outras 7 produções chegaram sequer ao milhão de pagantes, o que é super incomum para as nossas bilheterias recentes.

Praticamente se empilham grandes decepções no resto do top 10, já que todos os outros filmes esperava-se pelo menos o dobro de suas arrecadações, além de enormes incógnitas como as de ‘Os Penetras 2‘ (cujo primeiro arrecadou quase 5 vezes o número desse segundo), ‘TOC‘ (a excelente estreia como protagonista de Tatá Werneck, que mal fez 300 mil espectadores) e a nova versão de ‘Os Saltimbancos Trapalhões‘ (que nem chegou aos 200 mil). Ou seja, decepcionaram as comédias e também decepcionaram os filmes sérios, como ‘João, o Maestro‘ (que passou por pouco dos 100 mil) e ‘O Filme da Minha Vida‘ (que passou dos 200 mil),

Esse quadro havia sido ameaçado ano passado, quando apesar da maior quantidade de sucessos, eles igualmente ficaram aquém do esperado, e esse ano assustou, a ponto de muitos filmes terem adiado suas estreias e de apesar de estarmos no dia 9 de novembro de sentimento já é de ressaca. Os três últimos filmes desse top 10 fizeram números tão estranhos que a princípio ainda poderiam ficar de fora da lista. Mas quem ainda pode pintar antes do ano acabar com arrecadação superior a 300 mil espectadores, que apesar de pouco foi um desafio complicado de bater esse ano? Eu aponto quatro possibilidades ainda de aparecer entre os campeões de 2017. O primeiro já entrou em cartaz no Nordeste e é a nova adaptação de ‘Dona Flor e seus Dois Maridos’ que chega no Sudeste em duas semanas e tem sobre si a sombra de um público original de 11 milhões de espectadores. Ainda esse mês aporta por aqui outro filme de alma nordestina, ‘Os Parças’, a tentativa de transformar Whinderssonn Nunes em astro do cinemas pelas mãos de Halder Gomes, o homem por trás dos hits ‘Cine Holiudi’ e ‘O Samurai do Sertão’. Temos mês que vem a comédia romântica ‘Altas Expectativas’, improvável história de amor entre o pequenino Gigante Léo e a gigante Camila Mardila, e o quarto estreia essa semana e se chama ‘Gosto se Discute’.

Bom, se você não sabe o que é, adiantamos que é o novo filme estrelado por Kefera Buchmann, que ano passado despejou nos cinemas ‘É Fada!’, que fez quase 2 milhões de espectadores. Aqui ela é a gerente de um restaurante recém contratada para fazer o mesmo sair do buraco, e que vai bater de frente com o chef e dono do lugar, vivido por Cássio Gabus Mendes. Quando ele começa a perder o paladar depois de uma estranha síndrome, todos os empregados ficarão em pessima situação. O filme é dirigido por André Pellenz, ou seja, o homem por trás de ‘Minha Mãe é uma Peça’, e um toque de Midas duplo pode ser feito aqui. Será que ‘Gosto se Discute’ consegue fazer pelo menos 400 mil espectadores? A semana está propícia a ele, vamos conferir essa jogada a partir de hoje.

Do outro lado, em matéria de qualidade o cinema brasileiro foi excepcionalmente bem, obrigado. Mais uma vez uma lista de apenas 5 melhores do ano seria injusta, então eu fiz um apanhado dos 10 melhores filmes brazucas lançados esse ano nos cinemas por aqui, que não dão conta da qualidade total. São eles:

1) Jonas e o Circo sem Lona, de Paula Gomes
2) Eden, de Bru
3) Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
4) A Cidade Onde Envelheço, de Marília Rocha
5) Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois, de Petrus Cariry
6) Beduíno, de Júlio Bressane
7) Pendular, de Julia Murat
8) Comeback, de Érico Rassi
9) Lamparina da Aurora, de Frederico Machado
10) No Intenso Agora, de João Moreira Salles

O incrível é perceber a quantidade de diferentes gêneros que temos nessa lista, desde documentários como o meu primeiro lugar até os filmes de gênero, como os suspenses dramáticos ‘Eden‘, ‘Clarisse‘ e ‘Lamparina‘ (que estreia mês que vem), passando por algo mais experimental como o de Bressane e o drama romântico de Julia Murat, além do libelo LGBT ‘Corpo Elétrico‘. E óbvio que outros grandes filmes deram as caras nos nossos cinemas esse ano, como ‘Martírio‘ de Vicent Carelli, ‘Como Nossos Pais‘ de Laís Bodansky, ‘Joaquim‘ de Marcelo Gomes, ‘Soundtrack‘ de H2O, ‘Guerra do Paraguay‘ de Luiz Rosenberg Filho e ‘Divinas Divas‘ de Leandra Leal. Na lista, o décimo lugar da é uma estreia dessa semana, o filme de João Moreira Salles.

Voltando a beber numa fonte pessoal e familiar, João investiga o passado de sua mãe e das imagens que ela captou numa viagem durante anos 60 a China, no regime de Mao. A essas imagens se juntam também momentos da revolta juvenil em Paris e a Primavera de Praga na União Soviética e está pronto um painel político da década, observada e narrada pelo próprio Salles, tal qual já tinha sido feito anteriormente em ‘Santiago’, um dos melhores filmes da década passada. A ferocidade captada pelas imagens e a análise tranquila do diretor se complementam, formando um painel que pode ter acontecido há 50 anos atrás mas que se comunica com o hoje de maneira imbatível. Um filme que vale muito correr atrás nos cinemas a partir de hoje.

As outras estreias da semana estão no video que eu e Thiago fizemos, logo aqui.

Na semana que vem teremos a Liga da Justiça inteira aqui na coluna, eles e alguns outros filmes pra quem não curte HQ.

Até lá e bons filmes.