Coluna do Frank | Palmas para 2018

O ano começou e começou muito bem no cinema, como um presente de boas-vindas. São quatro produções, todas acima da média, a maioria excelente.

, por Thiago Arzakom

Coluna do Frank | Palmas para 2018

O ano começou e começou muito bem no cinema, como um presente de boas-vindas. São quatro produções, todas acima da média, a maioria excelente.

, por Thiago Arzakom

Olá pessoal!

O ano começou e começou muito bem no cinema, como um presente de boas-vindas. São quatro produções, todas acima da média, a maioria excelente. E ao mesmo tempo o ano também abre com polêmicas e situações complexas. O primeiro lançamento levanta a primeira saia justa, o vencedor da Palma de Ouro em Cannes ‘The Square‘. Candidato na lista final de 9 para o Oscar de filme estrangeiro representando a Suécia, o filme de Ruben Östlund tem vencido inúmeros prêmios desde Cannes e sempre com polêmica, por abordar o lado mais negativo da crise econômica e moral europeia hoje. Chamado de explorador, Ruben é um dos jovens grandes diretores da atualidade e chega ao ápice com uma carreira ainda muito curta. O filme mostra a história de um curador de museu as voltas com uma exposição que precisa de visibilidade para atrair público, ao mesmo tempo que vê a própria vida desmoronar por conta de uma série de eventos desastrosos. Tudo irá colidir num clímax inacreditável, e em sequências que procuram constranger personagens e público. Uma escolha ousada mas muito acertada para a Palma, o filme chega num momento muito feliz para um debate intenso sobre empatia com o próximo e o poder  e as consequências da arte moderna. Um filme impactante e muito engraçado e constrangedor.

O segundo lançamento se trata exatamente do segundo lugar de Cannes, ‘120 Batimentos por Minuto‘. Vencedor do Grande Prêmio do Júri no festival, esperava-se um novo confronto entre eles no próximo Oscar, mas criminosamente a produção francesa já foi cortada da categoria de filme estrangeiro, o que não diminui nada a força e a potência do filme de Robin Campillo. O filme se passa no início dos anos 90, durante o impacto da conscientização na França a respeito da AIDS, suas formas de contágio e seus metodos de prevenção. Contando com um brilhante e enorme elenco que transforma a experiencia ficcional em uma espécie de semi documentário, o filme também já ganhou inúmeros prêmios e encanta plateias mundo afora com sua narrativa real e palpável sobre um momento não muito antigo e que precisa voltar a ser debatido e discutido. Sua exclusão da lista do Oscar de filme estrangeiro gerou inúmeras polêmicas e discussões dentro da classe artística americana, que saiu em defesa aberta do filme e de seu caráter libertário, tanto em sua trama como principalmente na sua forma de contar uma história.

A próxima estreia/polêmica é por incrível que pareça da nova animação da Pixar, ‘Viva!‘. Provável vencedora do Oscar na categoria e campeã de bilheteria caminhando para os 200 milhões só nos EUA, o filme é uma visão super doce e colorida da morte, em versão infantil. A história segue um menininho mexicano durante os festejos do Dia dos Mortos local, data que o México comemora com festa e muito respeito. Durante o período no filme, o protagonista por acidente vai justamente parar na terra dos mortos e de de lá terá de fugir o quanto antes, correndo o risco de seu prazo acabar e ficar preso por lá indefinidamente. Mais uma aula de carisma e sensibilidade do estúdio de animação mais rentável do mundo. Fazendo parte do universo Disney, a Pixar deve pelo menos ter algum problema com as arrecadações do filme aqui no país. Tudo isso porque a empresa do Mickey resolveu pedir mais do circuito exibidor brasileiro no quesito arrecadação e o circuito está tentado a boicotar o lançamento do filme para não pagar a taxa de 52% que a Disney está exigindo. Uma pena que o filme e o público sejam prejudicados nas raias da ganância de um grande e milionário estúdio.

Pra encerrar a semana, um dos atuais e surpreendentes do momento no cinema, ‘Jumanji: Bem-vindo à Selva‘. Imaginava-se um sucesso dessa espécie de remake e reboot combinados do igualmente sucesso de 96 estrelado pelo querido Robin Williams; o que ninguém esperava era que o filme fechasse duas semanas com mais de 200 milhões de dólares, e que deve acabar passando facilmente dos 300 só no mercado interno. Com certeza a presença dos astros The Rock, Jack Black e Kevin Hart contribuíram para tal, mas creio que a combinação precisa de comédia, aventura e o clima de matine entre amigos adolescentes tão em voga atualmente com os sucessos de ‘Stranger Things’ e ‘It’ coroou esse sucesso, cuja continuação não deve demorar. A aventura de fato é muito agradável de ver, um clima de nostalgia presente o tempo todo e um que emprega talento e carisma fazem o espetáculo. Se no original era um jogo de tabuleiro que mandava no grupo, esse jogo agora virou um vídeo game antigo que leva um quarteto desajustado para dentro de um console, onde enfrentarão os perigos de uma floresta assassina com avatares bem diferentes de suas realidades pessoais. O filme acabou caindo nos gostos de público e crítica, surpreendendo a todos que não levavam fé na retomada do tema.

Na semana que vem temos mais uma animação, temos drama político e temos os vencedores do Globo de Ouro, além dos indicados do sindicato dos produtores. Até lá.​