Coluna do Frank | Só parece que o Oscar tá longe…

4 de março. Nesse dia ficaremos conhecendo os próximos vencedores dos carecas dourados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

, por Francisco Carbone

Coluna do Frank | Só parece que o Oscar tá longe…

4 de março. Nesse dia ficaremos conhecendo os próximos vencedores dos carecas dourados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

, por Francisco Carbone

4 de março.

Nesse dia ficaremos conhecendo os próximos vencedores dos carecas dourados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Você pode pensar “mas faltam 4 meses”, pois pense de novo. Além de quatro meses passarem rápido pra caramba em qualquer circunstância, a verdade é que os próximos quatro meses serão de tensão para o grupo de atores, diretores, roteiristas, produtores e técnicos que inflam a América e querem o reconhecimento anual. Que a bem da verdade não determina coisa alguma, apenas diz que você fez um bom trabalho. Não necessariamente o melhor do ano – as vezes até é mesmo – mas definitivamente o que mais esteve nos corações e mentes de votante e membros nesse grande planeta Hollywood.

Vou listar nessa primeira fase os 10 títulos que devem estar nas bocas de agora até o mês que vem, quando eu fizer um apanhado categoria a categoria, listando as chances de cada um assim que as premiações começarem. Como a primeira delas acontece já dia 28 próximo (o National Board of Review, que tradicionalmente abre a corrida), já é hora desse top 10 de ouro das apostas prévias. Tenho quase certeza que estou no rastro. Vamos a eles:

  • Três Anúncios para um Crime:

Uma das sensações da temporada, ganhou o prêmio do público em Toronto, o que o tornou inevitável na corrida. Junte a isso o prêmio de roteiro em Veneza e o fato de que a imprensa mundial caiu de quatro por ele, exaltando sua urgência na América de hoje, e temos um dos principais nomes da corrida esse ano. Misto de policial, filme denúncia e humor negro, o longa de Martin McDonaugh (já indicado pelo brilhante roteiro de ‘Na Mira do Chefe’ no início da década), o filme acompanha a saga da personagem de Frances McDormand, que anseia uma resposta das autoridades e da justiça de sua cidade quanto ao desaparecimento de sua filha, criando um estado de tensão local e a colocando numa zona de risco. Múltiplas indicações são esperadas, e o filme espera transformar a maioria em prêmio.

  • A Forma da Água:

De Veneza saiu com o Leão de Ouro, e aportou no coração da crítica do mundo todo como uma das maiores poesias do ano no cinema. O diretor Guillermo Del Toro nunca esteve tão perto do ouro, e obviamente que ser melhor amigo de Alfonso Cuaron e Alejandro González Inarritu só ajuda a trajetória dessa história de amor entre uma jovem muda e uma criatura saída das águas. O espírito de “filme sobre a ascensão da união das minorias” deve ajudar também e a briga deve ser entre esses dois primeiros filmes até a reta final, cada um representando uma ala diferente do cinema hoje.

  • Dunkirk:

O épico de guerra de Christopher Nolan carimbou sua participação na cerimônia de premiação assim que foi lançado. A bilheteria astronômica e a aceitação da crítica de maneira irrestrita ajudam Nolan a finalmente chegar no lugar máximo do pódio para uma indicação de diretor que pode muito bem virar vitória. A verdade é que a radiografia sobre os soldados na praia de Dunquérque durante a Segunda Guerra Mundial tem poucos detratores no público final e parece que fará a festa nas categorias técnicas esse ano, mas que ninguém estranhe que a emoção ao qual o filme apela vez por outra não seja capaz de motivar um degrau ainda mais elevado.

  • Me Chame pelo seu Nome:

Não sei agora temos uma cota LGBT no Oscar, mas a verdade é que o longa de Luca Guadagnino não precisa dela. Um furacão em Sundance e Toronto, o filme é o reconhecimento amplo de um dos maiores cineastas da atualidade e o provável prêmio para um dos grandes nomes do cinema nos anos 80 e 90, James Ivory. Inicialmente um projeto a ser dirigido por ele, Guadagnino manteve o roteiro do mestre intacto e o filme corre para vencer nessa categoria. Indicações? Provavelmente no máximo possível, e essa história de amor entre um adolescente e um jovem homem durante as férias de 83 na Itália é um banho de delicadeza e cuidado, uma prova viva de que a beleza e o merecimento ainda podem caminhar junto a premiações.

  • O Destino de uma Nação:

Não tem pra outro: Gary Oldman caminha muito largamente para vencer o Oscar de melhor ator. Um dos atores mais queridos em atividade, ele tem apenas uma indicação prévia e deve chegar como um rolo compressor esse ano, nesse épico de Joe Wright. Contando uma passagem da vida de Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial – no que acaba se unindo a ‘Dunkirk’ em foco e momento, mas nem em realização – o filme é um exemplo de que aquelas produções a moda antiga podem sim se revitalizar e serem relevantes ainda hoje. Um elenco simplesmente impecável rodeia Oldman e deve levar o filme àquela vaga na disputa do filmão a moda antiga, um gênero que nunca sai de moda na Academia.

  • The Post:

Existe Oscar sem Steven Spielberg? A Academia acha que não, mas esse ano seu filme parece ser relevante, importante e até meio cru. O filme vai acompanhar a história real dos editores do Washington Post Kat Graham e Ben Bradley, que nos anos 70 recebem um enorme estudo detalhado sobre o controverso papel dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e enfrentam de tudo para publicar os bombásticos documentos. Na frente do elenco de peso, Spielberg confiou a dois dos maiores titãs vivos do cinema hoje, Tom Hanks e Meryl Streep. Parece inevitável entender que as indicações virão multiplamente né? Com esse enfoque, com o talento de Spielberg para embasar suas histórias e narrar esses retratos da História, só um desastre seria capaz de impedir o reconhecimento dessa produção.

  • Projeto Florida:

Um dos mais bonitos e doloridos filmes do ano, esse novo longa de Sean Baker (que anteriormente fez o tal primeiro filme rodado em iPhone, ‘Tangerine’) aportou em Cannes e desde lá vem recebendo uma das maiores aclamações críticas do ano. Além disso, é um filme de fácil acesso e deve acertar diretamente o coração da América, exatamente por exalar os problemas da crise econômica justamente na classe mais sofrida, os pobres. Retratando a vida de um grupo de um moradores de um hotel muito pobre de beira de estrada em Los Angeles, com foco principal numa mãe muito jovem e sua pequena filha, o filme já começou a concorrer e ganhar prêmios e vai enfrentar pesada concorrência entre os títulos indies do ano, mas dificilmente deve ficar de fora com tantos defensores que o ama.

  • Corra!

Não, você não leu errado: o grande sucesso do suspense/terror desse ano, um hit de quase 200 milhões de dólares que custou apenas 4, está entre os possíveis finalistas para os prêmios, por também ele ter sido adorado pela imprensa no mundo todo e por suas características que o incluem numa mensagem racial, que deixaria o ano longe do #OscarSoWhite que os assombrou em alguns anos. Sim, desde ‘O Sexto Sentido’ um filme do gênero não chega tão longe, mas unem esses dois filmes o que já citei, a grana arrecadada, os fãs fervorosos no mundo e a crítica especializada. Assim, o filme do estreante Jordan Peele que conta a história do rapaz negro que vai passar um fim de semana na casa da família da namorada branca e acaba preso numa teia de horror pode sim aparecer na categoria principal, e também em outras.

  • I, Tonya:

Até agora a grande surpresa da temporada. Um filme que todos imaginaram que seria muito ruim e acabou se provando muito o oposto, mostra a maturidade de um realizador muito jovem, Craig Gillespie, que há 10 anos atrás viu seu ‘A Garota Ideal’ concorrer ao Oscar de roteiro. Agora ele deve conseguir muito mais, inclusive um prêmio de atriz coadjuvante para Alison Janney, que começa a se afastar da concorrência como a mãe de Margot Robbie, ou mais precisamente a mãe de Tonya Harding, uma das maiores patinadora no gelo de todos os tempos. No centro de um dos mais bizarros e assustadores casos do esporte americano, Tonya virou tema desse filme que apela para o humor negro e o falso documentário para contar uma história da forma mais original e impressionante possível, que mostra uma destruição do típico sonho dos EUA e acabou conquistando toda a imprensa.

  • A Última Bandeira:

Ousadia da minha parte? Talvez. Mas não consigo ver o votante do Oscar médio não caindo de amor por esse filme como fez com ‘Até o Último Homem’ e ‘Sniper Americano’. Quando pensamos que esse filme é infinitamente superior a ambos e dirigido por um dos grandes do nosso tempo que além de tudo está injustiçado recentemente, o filme parece imbatível. Richard Linklater dirige com graça e emoção essa que é uma espécie de continuação do ‘A Última Missão’ dos anos 70, longa de Hal Ashby que concorreu a inúmeros prêmios. Aqui, o protagonista Steve Carell precisa encontrar seus grandes amigos Bryan Cranston e Laurence Fishburne que não vê há 30 anos e pedir ajuda para atravessar o país com o corpo do filho que morreu na Guerra do Iraque. Com cenas hilariantes no meio de um tom super denso, o filme parece a pedida forte para o lado mais conservador da Academia.

Essa semana as estreias ficarão no vídeo e vocês ficam com esse enorme apanhado sobre as premiações que estão chegando, e semana que vem as estreias voltam a ser descritas aqui também, junto com um perfil do cinema brasileiro em 2017.

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Até lá!