Coluna do Frank | Super filmes no super feriado

Uma semana praticamente parada por conta de feriados colados significa país sem arrecadar para uns, e para outros significa uma chuva de estreias.

, por Francisco Carbone

Coluna do Frank | Super filmes no super feriado

Uma semana praticamente parada por conta de feriados colados significa país sem arrecadar para uns, e para outros significa uma chuva de estreias.

, por Francisco Carbone

Olá pessoal!

Uma semana praticamente parada por conta de feriados colados significa país sem arrecadar para uns, e para outros significa uma chuva de estreias nos cinemas. E nesse super feriado que começou ontem e vai até segunda não será diferente. São tantas estreias para todos os gostos que a coluna resolveu empilhar uma a uma por aqui. Vamos a elas?

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Lógico que não existe nenhuma maior que ‘Liga da Justiça‘, o filme que finalmente irá unir os heróis da DC, alguns deles até sem filme solo ainda, como Aquaman e Flash. Mas o filme funciona também como uma expansão do que já deu certo em ‘Batman vs Superman’. Os cínicos perguntarão o que deu certo nesse campeão de indicações ao Framboesa de Ouro, mas a verdade é que o filme fez muita grana, ainda que não a que a Warner esperava. Por conta do ultra sucesso de público e crítica de ‘Mulher Maravilha’, esse novo exemplar da concorrente da Marvel chega às salas de exibição do mundo inteiro com expectativa renovada e olho em números para além do bilhão de dólares no mundo. A bem da verdade é que eles tem um mês pra arrecadar isso, antes da estreia do novo ‘Star Wars’, a única ameaça a esse novo hit cinematográfico. Pra quem está acostumado a visão de Zack Snyder, já sabem o que encontrar na nova reunião entre Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot com a adição de Ezra Miller e Jason Momoa. Um típico filme feito pra fã e pro público consumidor de blockbuster, que irá fazer fila no feriado para esse novo capítulo da dominação DC.

O segundo lançamento atende pelo nome de ‘Victoria & Abdul‘ e é um novo encontro da gênia Judi Dench com a histórica Rainha Vitória da Inglaterra, que ela tinha vivido há exatos 20 anos em ‘Mrs. Brown’, tendo recebido sua primeira indicação ao Oscar. De lá pra cá foram outras seis e com esse novo filme ela pode chegar a oitava, um feito imbatível para alguém cuja primeira foi depois dos 60 anos. Ela volta a ser dirigida por Stephen Frears, que lhe deu duas das 7 indicações, nesse novo olhar sobre uma passagem da vida da monarca, aqui criando laços com um empregado indiano da sua corte, que ensinará para a ávida senhora tudo sobre seu país e sua língua local, trazendo fascínio e um novo aprendizado a alguém sem perspectivas, que renasce com a nova amizade. Uma produção requintada e muito bem humorada para quem quiser se divertir com uma produção acima da média.

Outra estreia da semana que tem também pretensões na próxima cerimônia do Oscar é ‘Uma Razão para Viver‘, estreia na direção de Andy Serkis; para quem não ligou o nome a pessoa Andy é o responsável pelos movimentos dos macacos e especialmente do César na série ‘Planeta dos Macacos’, o ator que vem dando vida a personagens virtuais com perfeição. Aqui, ele resolve dirigir pela primeira vez para contar a história real de um casal jovem que se vê às voltas com a poliomielite dele, que precisa decidir entre o tratamento para ter melhores condições de vida e a realização dos seus sonhos, mais precisamente para viver intensamente o seu amor. Nos papéis centrais, Andrew Garfield recém vindo de uma primeira indicação ao Oscar (por ‘Até o Último Homem’) e Claire Foy, completamente premiada pela série ‘The Crown’ – ambos deverão tentar vagas na próxima festa. Uma excelente pedida para quem quer ver romance e muita emoção.

Para quem quer uma pedida autoral vinda dos festivais internacionais, pois bem… os próximos três lançamentos vieram de cada um dos maiores europeus e o primeiro é esse ‘Colo‘, de Teresa Villaverde, da competição de Berlim. Essa veterana diretora portuguesa finalmente ganha sua primeira estreia no Brasil com esse belíssimo retrato da crise econômica mundial e principalmente a europeia, através de uma relação familiar aos trancos e barrancos, um reflexo da realidade externa correndo entre quatro paredes. Pai, mãe e filha não se entendem mais, uns com os outros e nem consigo mesmos, e fica claro que uma silenciosa bomba relógio é armada dentro daquele ambiente. De pegada naturalista, o filme acompanha os desejos velados desse trio e a forma como eles extravasam suas dores mais escondidas. Com um elenco afiado e uma direção sensacional, fica o desejo de receber mais filmes de Teresa por aqui e conhecer então a riqueza de uma obra tão sensível e contundente. Um filme para quem está afim de emoções internas e sentimentos represados.

Vindo da competição paralela de Cannes, a volta de Laurent Cantet ao lugar onde ganhou uma Palma 10 anos antes. Desde ‘Entre os Muros da Escola’ o diretor francês não chegava tão fortemente ao mercado, de forma tão incisiva e aplaudida. Esse novo ‘A Trama‘ o fez reencontrar o sucesso que parecia ter ficado lá atrás, tornando-o de novo relevante. Uma das provas disso é sua turnê mundial de lançamento desse novo filme, que o trouxe até o Brasil inclusive apresentando um projeto parecido com o mostrado no filme. A narrativa gira em torno de uma romancista disposta a levar uma experiência literária a todos os lugares. Vivida pela talentosa Marina Foïs, o filme narra sua luta para tentar construir em lugares mais periféricos uma oficina de escrita, tendo como base uma ideia sua, polêmica e impactante. Conforme a história avança, os participantes passam a criar laços nada positivos com a escritora. Um filme de pegada semi documental e com uma linguagem contemporânea sobre a sociedade e os diversos grupos que a integram, e como eles se diferem.

Pra fechar esse monte de estreias, temos um documentário literal que competiu em Veneza, a estreia na direção de cinema do artista plástico Ai Weiwei. Em ‘Human Flow‘, o chinês se põe a observar a crise migratória humana que varre a Europa, Ásia e África, criando conflitos civis e incidentes entre países por um problema de difícil solução mas que precisa ser debatido e analisado. A princípio poderia ser comparado ao premiado ‘Fogo no Mar’ do italiano Gianfranco Rosi, mas Weiwei se infiltra nos processos migratórios para filmar essa situação de dentro, sendo demasiadamente humano com pessoas que estão perdendo a noção dessa mesma humanidade pouco a pouco, com imagens ao mesmo tempo belíssimas e extremamente tristes. Um programa cheio de ambiguidade na relação de como olhar e como abordar o cinema hoje.

Ufa!, depois de tantas estreias, espero que vocês aproveitem os textos e vejam muitos filmes no feriadão.

Um grande abraço e até semana que vem!