Leitores em Série | Guilty Pleasure

Sejamos sinceros: não é só de Breaking Bad e Game Of Thrones que se vive uma grade de séries, não é?

, por Laura Vidaurreta

Leitores em Série | Guilty Pleasure

Sejamos sinceros: não é só de Breaking Bad e Game Of Thrones que se vive uma grade de séries, não é?

, por Laura Vidaurreta

Pode falar a verdade, nós já somos praticamente íntimos. No meio da sua How To Get Away, ou Mad Men ou The Office, vive uma série escondidinha, que você não fala pra ninguém e que, se alguém te confrontar, você nega até a morte. O nome disso é Guilty Pleasure. E não temas, você não está sozinho.

Guilty Pleasure nada mais é dó que aquilo que você faz com certa culpa. Por saber que é bom, ou que faz mal à saúde em certos casos, mas que você simplesmente não consegue resistir. Por exemplo, o guilty pleasure de alguém de dieta por ser aquele brigadeiro de panela irresistível, que vai acabar pesando na balança no dia seguinte. Ou pra alguém que está com as contas no vermelho, pode ser aquele sapato maravilhoso, que por uma obra do destino passou de R$ 200,00 para 199,90. Praticamente irresistível!

Para nós, maníacos em séries, guilty pleasure são aquele programas ou séries ruins, que a gente sabe que é ruim, mas que nosso subconsciente está condicionado a mudar de canal a tempo para os créditos iniciais. Seja um reality show, ou um programa médico com casos bizarros ou programas de batalhas culinárias. Todos têm seus guilty pleasures, e hoje nós vamos conhecer alguns. Não tenha medo, ninguém aqui vai te julgar.

Keeping Up With The Kardashians

Acho que a essa altura do campeonato, já é seguro dizer que boa parte da população, pelo menos, já ouviu falar no sobrenome Kardashian, mesmo que não saiba com certeza o que elas realmente fazem. A questão é essa, basicamente elas não fazem muita coisa. O reality foca no cotidiano das irmãs Kardashian (Kourtney, Kim e Khloe) e vez ou outra abre espaço para os outros irmãos (Kendall, Kyle e Robert). Recheado de escândalos e relacionamentos amorosos, como o namoro iô-iô entre Kourtney e o ex-namorado e pais de seus três filhos, Scott Disick, o casamento relâmpago de Khloe com o jogador de basquete Lamar Odom, e as bodas de contos de fadas de Kim e Kanye West, o reality também conta com momentos tensos, como o aterrorizante assalto vivido por Kim Kardashian em Paris. A família Kardashian não se preocupa em dividir momentos íntimos de sua vida para o público. Exemplo disso foram os três primeiros partos de Kourtney que foram transmitidos quase sem nenhuma censura para o programa. Como qualquer guilty pleasure, Keeping Up With The Kardashian não tem nada de concreto a acrescentar na vida dos telespectadores, mas não é pecado nenhum se imaginar vivendo a vida nababesca e cheia de ostentação que a família exibe. Fora que os barracos são sempre um show a parte.

Big Brother Brasil / A Fazenda

Eu, pessoalmente, acompanhei o BBB até a edição do Alemão. E não me pergunte em que ano foi isso, pois eu já perdi as contas de quantos programas já foram ao ar. E eu torcia sim! Votava pela internet, acompanhava paredões, vibrava quando meu favorito escapava da eliminação. Acho que faz parte do ser humano torcer para alguém que você nunca viu, ou como artistas, como no caso da A Fazenda, em que você sabe que a vitória dele não mudará em absolutamente nada na sua vida. Mas existe um prazer inexplicável em acompanhar essas pessoas confinadas nessa casa, tendo que lutar por comida e, por fim, mostrando sua real essência. Tanto Big Brother Brasil, quanto a fazendo movimentam legiões de fãs, transformam anônimos em celebridades, e pseudo-celebridade em ídolos nacionais. Entra ano e sai ano, entra elenco e sai elenco, e nós continuamos vidrados na televisão, acompanhando essas pessoas dormirem, escovarem os dentes, lavarem a louça, arrumarem a casa, fazerem comida. Coisas que provavelmente eles não fariam se estivessem em suas próprias casas, mas assim mesmo nós nos vemos fascinados por isso, como se essas pessoas fossem Deuses. Por quê? Não sei. Talvez faça parte da natureza humana criar ídolos e adorá-los.

American Idol / The Voice / The X-Factor

Aqui entramos em uma nova categoria de guilty pleasure: a de reality shows de competição musical. No entanto, reality shows internacionais parecem atrair muito mais público do que os nacionais. É claro que você se lembra do Fama, ou do Ídolos, do The Voice Brasil, ou do programa de calouros do Raul Gil, mas você consegue se lembrar de algum artista de sucesso que tenha saído de alguns desses programas? Vamos contar no dedo: o cantor Thiaguinho saiu do Fama em 2002, a sanfoneira Lucy Alves se destacou no The Voice Brasil, mas ganhou fama mesmo no papel de Luzia, na novela Velho Chico. É bem provável que eu esteja esquecendo algum, mas normalmente artistas brasileiros não vingam depois dessas competições musicais. O mesmo não podemos dizer das edições internacionais. Carrie Underwood, Kelly Clarkson, Jennifer Hudson e Adam Lambert são cria do American Idol. One Direction, Leona Lewis, Fifth Harmony e Little Mix são frutos do The X-Factor. O único programa que parece não ter produzido nenhum artista realmente relevante internacionalmente é o The Voice. Mas assim mesmo nos pegamos acompanhando as audições, torcendo nos duelos e vibrando quando nossos candidatos favoritos ganham a competição. Mesmo que você seja o único na sua roda de amigos a conhecer aquele cantor, cantora ou banda. E de quebra, você ainda tenta convencer seu amigo a ver a próxima temporada com você.

O Vestido Ideal

Não importa se você já se casou, quer casar ou nem sonha em subir o altar tão cedo. Basta uma zapeada no controle que você se vê incapaz de trocar de canal. São tantos vestidos de noiva, uns absolutamente lindos, outros totalmente tenebrosos, mas você se vê hipnotizada, gritando com a noiva para escolher o vestido número 3, mandando as madrinhas pararem de dar pitaco na decisão da moça, chorando com os depoimentos emocionantes que os pais dão quando se dão conta que sua garotinha virou uma mulher e está pronta para começar sua própria vida. Programas sobre vestidos de noiva são uma montanha russa emocional pois você se sente empática com aquela mulher. Você sofre quando ela não acha o vestido dos sonhos, você briga quando ela insiste em passar do orçamento só para ter o vestido de conto de fadas, que ela só vai usar uma vez, mas no final, quando ela sobe ao altar, com o vestido dos seus sonhos e você vê o olhar de adoração do noivo e de todos os convidados, é difícil conter aquele suspiro sonhador.

Dr. Miami / Botched / Bridal Plasty

Você pode até não querer fazer plástica, mas programas sobre plásticas são estranhamente fascinantes. Na maioria dos programas você vê muitos procedimentos estéticos, alguns necessários, outros nem tanto, como rinoplastia, aumento das próteses de silicone nos seios e no bumbum, lipoaspiração, rejuvenescimentos e muitas outras intervenções cirúrgicas que se veem no dia-a-dia. No caso de Botched, a premissa é consertar os erros de procedimentos mal feitos, que deixaram cicatrizes físicas e emocionais. Já Bridal Plasty é um reality show em que a vencedora ganha não só o casamento dos seus sonhos, como também uma transformação completa, incluindo plásticas em qualquer lugar onde a futura noiva quiser. É cativante, de uma maneira perturbadora.

Mas é assim que funciona o Guilty Pleasure. Você não pode julgar ou tentar explicar, apenas mergulhe de cabeça na sua própria experiência e divida com a gente… Se tiver coragem!