Leitores em série | 20 Anos de Dawson’s Creek

I don’t want to to wait for our lives to be over…

, por Laura Vidaurreta

Leitores em série | 20 Anos de Dawson’s Creek

I don’t want to to wait for our lives to be over…

, por Laura Vidaurreta

Em janeiro de 1998, na pequena Capeside, interior de Boston, Joey Porter e Dawson Leery se encontravam a noite, no quarto do rapaz, para assistir E.T., o Extraterrestre, pela milésima vez. A problemática Jen Lindley chegava à cidade para viver com sua avó religiosa e seu doente avô. E Pacey Witter flertava com uma mulher mais velha, enquanto trabalhava em uma locadora de vídeos.

Estava criada a trama de Dawson’s Creek, uma das séries adolescentes de maior sucesso do canal CW. A mente por trás da história é um velho conhecido do público. Kevin Williamson, criador de The Vampire Diaries e da franquia Pânico, ou seja, alguém que sabe, como poucos, falar com os jovens. E assim, Kevin o fez. Criou uma história envolvente, com seu clássico triângulo amoroso, deixando o público ansioso para saber quem Joey escolheria no final das contas: Dawson ou Pacey.

Mas se tem algo que difere Dawson’s Creek de outras séries adolescentes são suas tramas paralelas. A profundidade que Kevin deu aos personagens coadjuvantes e que acabaram, no melhor dos sentidos, ofuscando um pouco o dilema amoroso do trio protagonista.

Eu poderia fazer aqui a minha clássica lista com os momentos mais marcantes da série, mas seria injusto. Não haveria espaço. Enquanto acompanhávamos o vai e vem de Joey e seus dois amores, tantas tramas lindas e fortes aconteciam ao mesmo tempo. Como a relação do próprio Pacey com seu pai alcoólatra. O monólogo que Joshua Jackson entrega diante do pai, desmaiado de bêbado, em que ele detalha todas as qualidades que a, então namorada, Andy, vê nele, mas que não entendo o porquê do próprio pai não enxergá-las, foi de criar um nó na garganta. Não é a toa que essa cena ficou marcada como uma das mais importantes da série.

Outro personagem que ficou marcado foi Jack e sua jornada com sua própria sexualidade. Jack lutou ao máximo para se encaixar, para se enganar, para fingir ser alguém que não era, até que não deu mais. Jack se revelou para o pai em uma cena impactante, não pela negação do pai, que continuava a ignorar o fato e fingir que nada estava acontecendo, mas pela declaração de Jack, que branda que não importa o quanto o pai tente ignorar sua homossexualidade, ele tentou ainda mais, por muito mais tempo. Felizmente, Jack teve seu final feliz, não só graças à aceitação do pai, mas por encontrar um amor ao final da série.

Mas nenhuma trama foi tão grande, tão tocante, tão emocionante quanto à jornada de Jen e sua avó. Jen chegou à cidade “despachada” pelos pais, que já não sabiam lidar com a garota e seus problemas com drogas, rebeldia e um comportamento sexual desleixado e perigoso. Jen chega para morar com sua avó religiosa, conservadora, rígida e determinada a colocar a neta na linha. Não foram poucos os embates, as discussões. Jen testou a avó. Questionou sua religião. Desafiou seus limites. Duvidou de suas motivações. Mas a motivação de Grams era apenas uma: mostrar pra neta que ela a amava. Que aquele era seu lar. Que ela jamais desistiria dela, não importa o quanto Jen tentasse provar o contrário. Jen e Grams tiveram um final agridoce, mas juntas, lado a lado. Até o fim.

E o que aconteceu depois que as cortinas se fecharam?

James Van Der Beek, infelizmente, ainda não emplacou nenhum sucesso grandioso, apenas algumas participações especiais (uma como ele próprio, na série Don’t Trust the B—- in Apartment 23), e algumas séries canceladas, como Friends with Better Lives. Ele ficou mais conhecido mesmo graças ao meme Dawson’s Crying Face.

Katie Holmes foi uma das atrizes que também ficou só na promessa. Ela participou de alguns filmes, como Tentação Fatal, O Dom da Premonição e Batman Begins (mas foi substituída por Maggie Gyllenhaal na sequencia do filme). No entanto, Katie ganhou mais notoriedade ao se casar com Tom Cruise, com quem teve uma filha, Suri, hoje com 12 anos. Katie se separou de Cruise e optou por viver uma vida mais simples, longe dos holofotes e da Cientologia. Hoje ela participa de produções menores e independentes.

Durante o sucesso de Dawson’s Creek, Joshua Jackson também investiu em filmes adolescentes e estrelou longas como Lenda Urbana, Segundas Intenções e Sociedade Secreta. Mas foi somente alguns anos após o fim da série, que Joshua finalmente emplacou outro sucesso com a série de ficção científica Fringe. Com o fim da série, após cinco temporadas, um ano depois, Joshua entrou para o elenco de The Affair, um excelente suspense, com uma narrativa contada sob vários pontos de vista.

Mas o grande destaque mesmo, após o fim da série, foi a atriz Michelle Williams. Ainda durante a série, a atriz investiu em algumas produções B, como Halloween H20, ao lado de Josh Hartnett e da própria Jamie Lee Curtis. Mas, felizmente, sua carreira deu uma guinada e logo a atriz foi escalada para filmes aclamados pela crítica, rendendo-lhe quatro indicações ao Oscar, como Namorados Para Sempre, Sete Dias Com Marilyn, Manchester à Beira Mar, Todo o Dinheiro do Mundo e O Segredo de Brokeback Mountain. E foi justamente durante as gravações de Brokeback Mountain, que Michelle conheceu o ator Heath Ledger, com quem teve um relacionamento amoroso e que rendeu uma linda menina chamada Matilda, hoje com 12 anos. Michelle passou por um período difícil após a morte do ator, mas encontrou conforto nos fãs, amigos, família e, em especial, na atriz Busy Philipps, que conheceu durante as gravações de Dawson’s Creek. As duas se tornaram amigas inseparáveis.

20 anos se passaram e Dawson’s Creek deixou sua marca nos atores e, em especial, em nós, fãs.