Leitores Em Série | Dia da Consciência Negra

Vamos celebrar alguns dos personagens negros de mais destaque na TV.

, por Laura Vidaurreta

Leitores Em Série | Dia da Consciência Negra

Vamos celebrar alguns dos personagens negros de mais destaque na TV.

, por Laura Vidaurreta

Estamos em 2017 e a discussão sobre racismo nunca esteve tão atual, especialmente após o vazamento do vídeo com a declaração lamentável do jornalista William Waack. Por isso que este Dia da Consciência Negra parece ter um gosto ainda mais especial.

O Dia da Consciência Negra se tornou feriado em janeiro de 2003, e a data escolhida, 20 de novembro, foi escolhida como homenagem a Zumbi, ícone da resistência à escravidão e líder do Quilombo dos Palhares, que morreu em 1695, nesta mesma data. E assim como Zumbi, o Brasil está repleto de figuras históricas negras, como o psiquiatra Juliano Moreira, um dos pioneiros da psiquiatria no Brasil; Aleijadinho, o maior nome da arte barroca e rococó brasileira; Antonieta de Barros, a primeira mulher negra eleita deputada no Brasil; e Ruth Souza, a primeira atriz negra a subir no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e a primeira atriz negra protagonista de novela.

Já nos Estados Unidos, Sidney Poitier e Hattie McDaniel foram os primeiros atores negros a ganharem um Oscar. Ele, em 1963, pelo filme Uma Voz Nas Sombras, e ela, em 1940, pelo papel Mammy em E O Vento Levou. Na TV, a primeira atriz negra a ser protagonista de uma série de comédia foi Ethel Waters, em 1950. Enquanto Bill Cosby foi o primeiro ator negro a ser protagonista de uma série de drama em 1965, com a série I Spy. Oprah Winfrey fez história ao se tornar a primeira apresentadora de talk show negra com o The Oprah Winfrey Show, em 1986.

Hoje em dia muita coisa mudou, e a representatividade está cada vez mais forte, porém ainda estamos muito longe do ideal. Mas para celebrar a importância do Dia da Consciência Negra, vamos conhecer alguns personagens negros que mais se destacam na TV atualmente.

Os Johnsons (Black-ish)

Os Johnsons não são a primeira família negra da televisão. Muito antes deles tivemos os Banks (e o Will Smith) de Um Maluco no Pedaço, os Kyle de Eu, a Patroa e as Crianças, os Rock de Todo Mundo Odeia o Chris, e os Huxtable de The Cosby Show. Mas atualmente são os Johnson quem representam a família negra de classe média alta americana, com Dre e Bow passando seus valores culturais aos filhos. Uma das cenas de maior destaque na série é quando Dre fala sobre a sensação se esperança que sentiu quando Obama foi eleito, e que veio junto com o pânico de que algo terrível acontecesse e que essa esperança fosse arrancada dele.

Randall Pearson (This Is Us)

Randall não foi apenas um bebê adotado por um casal. Randall foi um bebê adotado por um casal que tinha acabado de perder um de seus trigêmeos. E mais importante, Randall foi um bebê negro, adotado por uma família branca. E logo no início, Jack e Rebecca entenderam que apesar do filho ser uma das pontas do seu “Big Three”, ele precisava de sua própria identidade e jamais poderia perder suas raízes culturais. Por isso que Rebecca escolheu um nome único para o filho, e deixou o orgulho de lado para pedir conselhos à outra mãe sobre cuidados especiais que seu filho poderia precisar. Mas sem dúvida alguma a cena mais emblemática que representa o grau de comprometimento de Jack e Rebecca com seu filho, é a iniciação de Randall nas artes marciais, quando Jack prova para o filho que está disposto a “carregá-lo” pela vida, não importa o que aconteça.

Jamal Lyon (Empire)

O mundo do hip hop é um mundo predominantemente negro, no entanto ainda é um mundo bastante hostil com os homossexuais, especialmente quando as dificuldades começam em casa. Desde pequeno Jamal lutou para conquistar o carinho e o respeito do pai, mas isso sempre foi uma tarefa bem árdua. Em uma cena do episódio piloto, Lucious joga o filho pequeno na lata de lixo, após flagrar a criança usando os sapatos e uma echarpe da mãe. Já adulto e ganhando fama como cantor e compositor, Jamal foi chantageado pelo pai a permanecer no armário. Mas essa foi a gota d’água para o rapaz, que, durante um evento, se assumiu gay publicamente, durante uma música escrita pelo próprio pai.

Luke Cage (Luke Cage e Os Defensores)

Não é a força e nem a pele impenetrável que fazem de Luke Cage um dos ícones da cultura pop, e sim sua representação cultural. Além de ser o primeiro super herói negro a ter sua série própria nos quadrinhos, Luke também deixou sua marca na história por ser sido criado durante a onda do movimento Blaxploitation. Na TV, Luke Cage ganhou sua série própria de TV pela Netflix, e ainda fez parte da série dos Defensores. E nas duas séries o herói reafirmou seu papel como o guardião do Harlem.

Dra. Miranda Bailey (Grey’s Anatomy)

GREY’S ANATOMY – ABC’s “Grey’s Anatomy” stars Chandra Wilson as Dr. Miranda Bailey. (ABC/Bob D’Amico)

Se tem uma coisa que Shonda Rhimes sabe fazer é criar protagonistas femininas fortes. Nós já falamos da trindade da Shondaland na coluna #NastyWomen, mas apesar de não ser a protagonistas, poucas personagens da TV têm a força e o carisma da Dra. Bailey. A atual Cirurgiã Chefe do Grey-Sloan Memorian passou de uma tímida e insegura interna, à residente apelidada de Nazista, até chegar ao cargo que ocupa hoje, mais do que merecido, por sinal. Dentre várias cenas importantes ao longo das quatorze temporadas da série, uma das mais emblemáticas é quando um paciente ferido se recusa a ser atendido por Bailey por ela ser negra. Quando a médica designa George para cuidar do paciente, o jovem descobre que o paciente tem uma suástica tatuada na barriga. No final das contas, o paciente precisa ser operado e é Bailey quem salva a vida dele.

Então, o que você achou da nossa lista? Concordou com nossos personagens ou achou que faltou alguém? Entre e deixe seu comentário!

  • Ann Paull Monsores

    A atuação de um negro precisa se tornar frequente em qualquer papel trazer a realidade do nosso cotidiano. Somos todos negros, no Brasil não tem como não ser. Os negros não precisam de cota para ocupar seu espaço e sim a humanidade ter coinscienciância suficiente da igualdade.