Leitores Em Série | Era uma vez no Texas

Está na hora de conhecermos um pouco da infância de Sheldon Cooper.

, por Laura Vidaurreta

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Está na hora de conhecermos um pouco da infância de Sheldon Cooper.

, por Laura Vidaurreta

Finalmente estreou na segunda feira passada nos Estados Unidos a série Young Sheldon, nós falamos dela por aqui na nossa coluna sobre as Apostas para o Fall Season. Young Sheldon nada mais é do que um spinoff que mostra a infância do icônico personagem Sheldon Cooper, de The Big Bang Theory. E de cara já podemos dizer que a série superou as expectativas do canal, que registrou uma marca de 16.6 milhões de espectadores, se consolidando como a melhor estreia de uma série de comédia do canal CBS em quatro anos. Se continuar assim, Young Sheldon tem tudo para ser o novo hit da TV.

Eu assisti a estreia na segunda e preciso contar pra vocês, a série é uma graça, de verdade. O ator escolhido para viver Sheldon aos nove anos de idade se chama Iain Armitage e é uma verdadeira fofura. Outro ponto positivo para a série é o fato da versão jovem de Mary Cooper ser interpretada por Zoe Perry, filha de Laurie Metcalf, a Mary Copper de The Big Bang Theory. Ou seja, quando você fecha os olhos, é exatamente a mesma voz. E Zoe parece ter pego todos os trejeitos da mãe na hora de interpretar a Sra. Cooper.

No entanto, algo me chama muita atenção. Durante as 10 temporadas de The Big Bang Theory, grande parte das lembranças da infância de Sheldon não eram exatamente felizes. Apesar da série tratar com humor vários de seus traumas, Sheldon tem um passado bem pesado, e pelo primeiro episódio já foi possível ver que a série andou flertando com o drama, como na cena em que Sheldon e Missy (sua irmã gêmea, que aparece na primeira temporada de TBBT) estão sentados na cama, enquanto escutam os pais discutindo.

Eu não sei qual o verdadeiro tom que a série irá seguir, até porque muito do material promocional são cenas do primeiro episódio, mas eu acho que será bem interessante ver como eles abordarão alguns temas, como por exemplo, o que levou Mary a levar o filho para ser testado sobre um possível distúrbio.

E depois do sucesso estrondoso em sua estreia, o canal CBS encomendou uma temporada completa para a série. No entanto, o segundo episódio só irá ao ar no dia 2 de novembro, quando o canal deixará de exibir o futebol americano as quintas e liberará o horário para The Big Bang Theory e seu spinoff . Mas enquanto a série não chega por aqui, eu gostaria de comentar alguns destaques desse primeiro episódio. E vale o aviso de novo: o texto abaixo pode conter spoilers.

 

Sheldon e os Irmãos

Quando apareceu lá atrás, no décimo quinto episódio da primeira temporada de The Big Bang Theory, Missy Cooper já disse a que veio. Dona de uma personalidade forte, humor ácido e com nenhuma vergonha de seu passado briguento (destacado no diálogo entre os dois sobre com quem Missy deveria sair), a irmã gêmea de Sheldon é um dos pontos fortes do spinoff. A menina tem sempre respostas na ponta da língua, é desbocada, invocada e irônica. Mas ao longo dos 10 anos de TBBT, Sheldon comentou algumas histórias envolvendo a irmã, e, inclusive, esteve presente no dia em que Missy deu à luz seu primeiro filho, o que mostra que, apesar de peculiar, os dois tiveram uma boa relação na infância.

Mas parece que não podemos dizer o mesmo sobre Georgie, o irmão mais velho. Se não me falha a memória, Sheldon nunca dividiu uma única lembrança real sobre o irmão mais velho ao longo dos anos, apenas o citou em raríssimas ocasiões, como quando mostra pra Amy, dentre TODOS os objetos que ele guarda em um depósito, a bola de golfe que o irmão jogou em sua cabeça certa vez. E a julgar pelo primeiro episódio, acho que podemos esperar que os dois tenham um relacionamento conturbado. Mas não por maldade. O problema é que, quando você cresce em uma família em que um de seus irmãos necessita de atenção especial (não só pela genialidade, mas também pela total falta de traquejo social), é fácil ser deixado de lado. E, para piorar a situação, Georgie é obrigado a ter o irmão mais novo, não só na mesma escola, como na mesma sala que ele, algo que culmina em um surto de frustração. Essa situação é exposta quando Georgie desabafa com o pai, após uma briga durante um treino de futebol americano. Vamos ver como a relação de Sheldon com os irmãos irá de desenrolar ao longo da temporada.

 

Professor Próton

Sheldon sempre fez questão de dizer que o Professor Próton foi parte importante de sua infância. Todos os dias, ás quatro da tarde, o garoto ligava a televisão e passava a melhor hora de seu dia ao lado de seu ídolo e único amigo, como ele já disse algumas vezes. Então, como não podia deixar de ser, uma das cenas do primeiro episódio mostra um jovem Sheldon, com os olhos fixos na televisão, assistindo ao seu programa favorito, enquanto sua irmã questiona por que eles não podem assistir DuckTales. Obviamente que o menino responde que não se aprende nada assistindo o desenho, ao contrário do programa de ciências, que está prestes a ensinar o famoso truque da batata que vira um relógio.

 

O Pai de Sheldon

Esse, talvez, seja o tema mais delicado da série. É de conhecimento geral dos fãs que o pai de Sheldon faleceu quando o garoto tinha apenas 14 anos, ou seja, se a série chegar à quinta temporada, é capaz da produção abordar esse tema. Segundo relatos, George Cooper nunca foi conhecido por ser um homem de inteligência privilegiada, e nem dado a demonstrações de carinho. Muito pelo contrário, suas constantes brigas com a esposa deixaram uma marca no filho, algo que Sheldon revela na terceira temporada de TBBT. Outros problemas conhecidos de George são o temperamento explosivo, o alcoolismo e o adultério (sendo essa última o motivo que levou Sheldon à mania de bater três vezes na porta).

Também fica claro no primeiro episódio de Young Sheldon que George não sabe lidar muito bem com as excentricidades do filho, mas que ele tenta, do seu jeito, se aproximar do garoto. Seja com um discurso sobre adaptação, ou seja, com lições sobre futebol americano.

 

A Escola

O primeiro episódio da série também marca o primeiro dia de Sheldon no colegial (o high school americano, que corresponde ao nono ano). Um dia de comemoração para parte da família, especialmente para Missy, que não terá mais o irmão na mesma sala que ela, que está no quarto ano, e um péssimo dia para Georgie, que vai ganhar a companhia do garoto na mesma classe. Já a caminho da escola, Sheldon mostra que não será uma pessoa de fácil convivência ao dizer para a mãe que acredita ser possível que os alunos com o intelecto menor que o seu o reconheçam como um ser superior e o declarem seu líder, o que faz Mary pedir a Deus que o filho não acabe dentro de uma mochila.

No entanto, ao colocar os pés na porta da escola, Sheldon se depara com um mundo completamente novo e selvagem pra ele. Cabelos moicanos, jaquetas de couro, calças rasgadas e tudo mais que o visual dos anos 80 podia oferecer estavam ali, na frente do menino de nove anos, que vestia calças de linho, camisa xadrez e gravata borboleta. E os conflitos de Sheldon não terminaram apenas com a quebra do código de vestimenta escolar, um verdadeiro pandemônio se cria na sala do diretor quando todos os professores se juntam para reclamar do novo aluno, que tem críticas ferozes sobre o método de ensino de cada um deles. Enquanto os professores pedem a transferência do menino, Mary luta ferozmente pelo direito do filho de ter um ensino de qualidade.

 

A Relação de Sheldon com a Mãe

O que nos leva ao último item dessa lista: a relação entre Mary e Sheldon. Desde sua primeira aparição em The Big Bang Theory já ficou claro para o público o carinho e proteção que Mary tem com sem filho, aparecendo todas as vezes que o rapaz precisava de ajuda ou conselho. Mas ver o relacionamento de Mary com o filho ainda criança foi ainda mais emocionante.

Mary é uma mãe leoa, no sentido quase literal da palavra. Ela sabe que o filho é especial, ela sabe que ele tem seus problemas, mas luta por ele e o protege com garra e determinação, mesmo que isso a faça entrar em conflito com outras pessoas, como o marido, por exemplo. Quando descobre que George escondeu a gravata borboleta do menino, para que ele não passasse vergonha, e não envergonhe o irmão, no primeiro dia de aula, Mary se enfurece e exige que o marido a entregue, mesmo que, mais tarde, ela mesma peça ao filho para abrir mão da gravata.

E apesar de todos os problemas de sociabilidade de Sheldon, há uma bela reciprocidade na relação do menino com a mãe. Sheldon precisa usar luvas para segurar dar as mãos do pai e ao irmão na hora de rezar antes do almoço, mas se aconchega na mãe durante a missa sem hesitar. É Sheldon, inclusive, que se oferece para acompanhar a mãe à igreja, diante da recusa da família. Sheldon e Mary são parceiros, o menino vê na mãe seu porto seguro, e a relação dos dois tem tudo para ser uma das melhores coisas da série.

A previsão de estreia da série no Brasil é dia 8 de outubro. Então nos conte, você está ansioso para ver a versão mirim de Sheldon? Entre e deixe seus comentários!

  • Thiego Cugler de Pontes

    Como sempre ótimas análises Laura! Fiquei super curioso para ver esse, parece ser um tom meio diferente de TBBT.